quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Macaquinho e seu Tambor

O tamborzinho se calou
Quando a corda do macaco acabou.
O macaquinho, então, se inclinou
Com expressão triste no olhar.
Fechou-se o sorriso que ele abria
Quando ouvia o som do seu tambor.

Triste, ele aguarda esquecido,
Por nova corda em seu tambor.
Ignora ele o fato de que não a terá mais,
Pois a criança que com ele se alegrava,
Já não se importa com o som do tamborzinho.

Pobre macaquinho!
Ele e o silencioso tamborzinho não têm mais utilidade.
Há brinquedos novos em seu lugar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um Grito Mudo


A solidão me encurva,
me encurta,
me vence
e me deita no chão frio.

Essa dor me corrói,
me destrói,
me cega e ensurdece,
me emudece e só permite que eu apenas grite:

Por favor, não me deixe assim por muito tempo!

sábado, 8 de novembro de 2008

A Corrida da Vida


Apenas por um dia pretendo levantar da cama e correr
Correr descalço pelas areias brancas
Sentir a onda do mar me molhar os pés
E o vento suave bater em meu rosto.

Apenas por um dia simplesmente correrei
E não me importarei com os problemas,
Pois eles não serão nada mais do que obstáculos a serem superados.
E eles assim o serão, apenas por um dia.

Contra as dores que ontem me maltratavam eu já me anestesiei.
Apenas por um dia elas ficarão presas ao ontem
E não serão nada mais do que lembranças
E nada menos do que estímulos pra que eu corra mais rápido.

Os olhos da censura desta vez não me impedirão.
Minhas vozes interiores não serão mais tão altas quanto ontem.
As mãos que – sempre – me agarram desta vez não serão tão fortes,
Porque, apenas por um dia, eu simplesmente correrei.

E assim vou eu correndo
Rumo ao abraço apertado dos amigos,
à gargalhada alta e imaculada,
À compaixão, à felicidade, rumo ao amor.

Corro, tropeço, caio.
Levanto,
Pois, nessa corrida não me distraio.
Mancando, continuo correndo (apenas por um dia).

Apenas por um dia quero viver assim.
Apenas por um dia desejo crer que nada mais importa,
E então, apenas correrei.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Flores Mortas


Tempo efêmero
Tempo etéreo
Tempo que passa
Tudo passa com o tempo
Assim como as flores
Mais um pensamento

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eterna Busca


O homem busca ser eterno
para tentar fugir daquilo
que pode ser a única forma
da sua verdadeira libertação.

Assim como nascer significa libertar-se do ventre protetor materno,
a vida do homem é um constante buscar de libertação.
Libertar-se do mundo.
Libertar-se dos sentimentos antagônicos.
Libertar-se do próximo e a, geralmente, confusa teia de relacionamentos.
Libertar-se de si mesmo.

E assim a vida passa, dia após dia,
até o inevitável momento de, enfim, libertar-se.
Porém, é tarde demais para aproveitar a liberdade.